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Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

João Matheos, do Bispado de Leiria

Cemitério do Hospital da Misericórdia da Pederneira

Carlos Fidalgo, 29.01.22

218 - A Misericórdia da Pederneira in O Occidente, 34 ano, vol. XXXIV, pp. 261-262, n.º 1185 de 30 de Novembro de 1911. (1).jpg

Imagem: A Misericórdia da Pederneira in O Occidente, 34 ano, vol. XXXIV, pp. 261-262, n.º 1185 de 30 de Novembro de 1911

*

Um assento curioso, entre os muitos que temos divulgado neste blog e os que haveremos de divulgar.

Desta feita e ainda antes do Hospital "rumar" ao Sítio da Nazaré, uma referência a um tal de João Matheos que faleceu no hospital da Misericórdia e ali terá falecido.

Disse, antes de falecer, que era do Bispado de Leiria e que teria de idade cerca de sessenta anos, "pouco mais ou menos".

Segundo a descrição do vigário Domingos Mendes de Britto e Magalhães o defunto era "baixo de corpo e cara redonda".

Foi sepultado no Cemitério do Hospital.

Tudo isto aconteceu no dia dezoito de Outubro de 1721.*

*ADLRA- Livro de  Óbitos da Freguesia da Pederneira, ano de 1721, f.36.

O apelido "Quinzico"

Carlos Fidalgo, 04.12.21

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Um dos apelidos mais difíceis de analisar no que respeita à sua origem é o apelido "Quinzico".

Notámos que poderá tratar-se de apelido recente, pelo menos na Nazaré, mas que encontra algumas semelhanças fonéticas como "Quinjica" em Angola; "Quinchica" na Colômbia; "Quinsac" em França e "Kinzico" na República do Congo.[1]

Também, no site do Museu Marítimo de Ílhavo, na base de dados dedicada aos bacalhoeiros, notámos cerca de nove associações de outros apelidos ao de "Quinzico", todos eles naturais da Nazaré.[2]

Estaremos perante um apelido “específico e único” da Nazaré? Ou, numa outra possibilidade, perante um apelido espontâneo, como tantos outros?

Perante a dúvida não deveremos conjecturar, mas basear a nossa opinião no que conseguimos apurar nas várias pesquisas que fizemos.

Posto assim, verifica-se que o apelido Quinzico aparece, s.m.o., na Nazaré em meados do século XIX com Ignácio Bulhões Quinzico, gémeo de Domingos, batizado no dia 1 de Março de 1846.

Os pais não tinham esse apelido, nem os avós e bisavós paternos e maternos.

Estes de nome Joaquim Bulhões e Joaquina Baptista.

Os avós, pela parte paterna, José Soares Bulhões e Maria dos Santos Domingues e, pela parte materna, Joaquim Constantino e Maria Domingos.[3]

A partir de Ignácio e Domingos, aparece, e permanece, o apelido até aos dias de hoje.

Quanto à naturalidade, e como referimos, todos são do extinto concelho da Pederneira, actual concelho da Nazaré.

Encontrámos, no entanto, uma referência curiosa a um tal de Richard de Quinzica, numa das fábulas de Jean de La Fontaine, intitulada “How Old Men Count The Days”[4]

Trata-se, na nossa opinião e para o assunto em causa, de uma simples, mas interessante, coincidência ou, então, porque terá La Fontaine, no século XVII, utilizado este apelido, ainda que numa fábula?

Seja como for, os registos que temos remetem os ancestrais de Ignácio e Domingos, até meados do século XVIII, com um tal de João Soares Gulhoens casado com Maria de Jesus Batalheira, bisavós dos primeiros.[5]

*

 

[1] https://forebears.io/pt/surnames/quinzico (acedido em 10/05/2020).

[2]http://homensenaviosdobacalhau.cm-ilhavo.pt/header/pesquisa/results?nome=quinzico&alcunha=&year=&navio=&categoria=&idoriginal=&naturalidade=&navioCategoria=&searchlocale=pt_PT&action_getResults=Pesquisar

(acedido em 10/05/2020)

[3] ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de Batismos, 1846, f. 67v.

[4]Jean de La Fontaine. La Fontaine's Complete Tales in Verse: An Illustrated and Annotated Translation, Edited and Translated by Randolph Paul Runyon, 2009.

[5] Sobre este assunto, consulte-se, GRANADA, João António Godinho. Nazareth: Pederneira-Sítio-Praia, Para a História da Terra e da Gente, Edição de Autor, Depositária e distribuidora na Nazaré, Livraria Suzy, 1996, p. 312.