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Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

Sobre a Comissão Municipal de Turismo (1955)

Carlos Fidalgo, 24.05.22

 

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Fala o Presidente da Comissão Municipal de Turismo[1]

Oito anos na Presidência da Comissão de Turismo da Praia da Nazaré, departamento de divulgação e informação, estão bem patentes no zelo e competência do seu Presidente sr. Guilherme Ramos. A ele se deve já, sem dúvida uma grande obra em prol do Turismo desta praia encantada.

Para que melhor formássemos uma ideia quanto ao desenvolvimento turístico, não resistimos à tentação de procurar o sr. Guilherme Ramos, que logo se prontificou a prestar-nos todos os esclarecimentos.

Depois de ter focado a parte financeira, que é insuficiente para obras de maior vulto, dado o pouco rendimento que a Comissão usufrui visto que a pouca verba que por vezes possuem é absorvida com elevadas e inúmeras despesas.

Disse depois do seu regozijo pelo franco progresso do Turismo na Nazaré, que é hoje visitada por imensos estrangeiros, sobre tudo franceses na sua maioria que escrevem directamente a pedir todos os informes necessários às suas estadias.

- Sr. Presidente, qual a maior realização no abalizado ver de V. Ex.ª, neste momento de franco progresso que julga de maior utilidade para o Turismo da Nazaré?

- A meu ver, é de absoluta carência, a construção de um bom Casino, de um Hotel razoável e o alargamento das principais artérias.

- Tem tido, V. Ex.ª por certo, e como é de calcular, o maior apoio por parte do Estado, inclusive financeiro?

- Sim, o Estado tem colaborado em diversas obras, muito embora em pouca quantidade.

- Quanto à Nazaré …

- Temos todas as possibilidades turísticas, é realmente um ponto desejável de ser visitado. Tudo em nós tem deixado a melhor impressão, tanto pelo típico como pela sua gente.

- Neste período mais próximo de engrandecimento turístico Nazareno, que obras foram levadas a efeito Sr. Presidente?

- Há dois anos (1953) abriu-se um Parque de Campismo, instalado no Parque da Penalva [Pedralva], e que embora modesto, tem sido bastante frequentado por estrangeiros.

- Quanto às actuais instalações da Comissão de Turismo, acha que elas dão cabimento ao serviço?

- Temo-nos remediado com as actuais, no entanto carecíamos de um edifício próprio para a Comissão de Turismo, mas isso era um assunto dispendioso em extremo. E assim, contentamo-nos com o presente.

- As impressões dos turistas são…?

- Sim, creio que partem todos bem impressionados, basta as referências que têm feito.

- O Turismo tem feito bastante propaganda, não é assim?

- Bastante mesmo, inclusivé em revistas estrangeiras.

Crentes de que levamos aos nossos leitores embora superficialmente actividade da Comissão de Turismo da Nazaré, despedimo-nos do Sr. Guilherme Ramos, mas depois de termos pedido a opinião sobre o nosso jornal:

- O vosso jornal «A Província» é para mim um órgão de imprensa de valor, tanto pelo seu conteúdo, como o aspecto gráfico que me deixa a melhor impressão.

Estas foram as palavras que registámos com amizade, do digníssimo Presidente da Comissão de Turismo da Nazaré, a quem desejámos retumbantes êxitos em prosseguimento do já feito e em obras vindouras.

*

[1] Publicado em “A Província”, Ano I, N.22, 4 de Agosto de 1955.

François Mauriac e a Nazaré

Carlos Fidalgo, 20.05.22

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Romancista e jornalista francês (1885-1970), fez pesar sobre os seus romances uma fatalidade e uma solidão que não encontram contrapartida na sua atividade jornalística, conduzida frequentemente como um combate, em jornais como Le Figaro e L'Express. De entre os seus romances destacam-se Thérèse Desqueyroux (1927), Le Noeud de vipères (1932), Le Sagouin (1951) e Un Adolescent d'autrefois (1969). As suas obras abrangem ainda poemas (Les Mains jointes, 1909), ensaios (Ce que je crois, 1962) e peças de teatro (Les Mal-Aimés, 1945). Foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1952.[1]

*

François Mauriac

falou assim da Nazaré:

A Nazaré parece-se com o seu nome, e o mar que a banha, é bem um lago por onde Cristo passou.

Este povo de Pescadores, vestido de policromos tecidos de lã, impele os seus barcos para as ondas, lança as suas rêdes, como sob, a ordem de um Mestre invisível.

Eu não creio que se possa sofrer na Europa uma impressão de desnorteamento tão viva como a que se sente nesta vila queimada pelo sol, entre este povo bíblico: encontrei-me de repente fora do tempo.

Há outras maravilhas em, Portugal; mas a Nazaré é a minha mais estranha recordação.[2]

*

Fontes:

[1] Porto Editora – François Mauriac na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-05-20 21:21:02]. Disponível em  https://www.infopedia.pt/$francois-mauriac

[2] In Jornal A Província, Ano I, N.º 22, 1955, p. 6.

Foto: François Mauriac redux - François Mauriac – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)