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Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

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História e Património do Concelho da Nazaré

Pequenos gestos

Carlos Fidalgo, 29.05.20

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São muito importantes os gestos mais simples.

Hoje os meus filhos, na sua visita a casa, deram-me várias alegrias.

A alegria infinda de quem recebe os filhos em casa após um longo período de ausência e uma outra que não esperava; o disco em vinil da banda nazarena os "Alarme".

Não irei falar da importância desta banda na emergência do Rock em Portugal, porque desse assunto outros conhecem mais que eu, mas recordo.

Recordo, com saudade, as vezes que os ouvi ao vivo, as inúmeras vezes que ouvi o “Desconto Especial” e a minha preferida, “Autocarro Diariamente”.

Recordo cada um dos seus elementos, quase todos do meu conhecimento pessoal.

Recordo essa fase em que vários grupos da Nazaré quiseram marcar "presença" nessa revolução musical, poucos anos após o 25 de Abril.

Lembro-me de um concerto que ocorreu no antigo campo de futebol do G.D. “Os Nazarenos” onde atuou, entre outras, uma outra banda com um nome muito comum, G.A.L.P..

Mas, se bem me lembro, e por extenso, significava, Grupo Altamente Ligado ao Punk, provando a bem conhecida espontaneidade nazarena para a reutilização de acrónimos.

Mas, em jeito de conclusão, a prenda que hoje recebi encheu-me o coração de orgulho, posto que a alegria de sentirmos que os nossos filhos partilham e respeitam o nosso tempo, já passado, mas ainda presente, não é mais que um produto de uma educação livre e sem preconceitos.

O disco já tocou, e bem, e foi cuidadosamente guardado junto a outras relíquias musicais que aqui por casa deambulam.

Obrigado aos meus filhos, Ricardo e Pedro.

Uma filha do Governador do Forte de São Miguel

Carlos Fidalgo, 22.05.20

Dona Maria Cândida de Lafetá e Souza era filha de um dos Governadores do Forte de São Miguel, José Caetano de Lafetá e Sousa e de sua mulher, Thereza Correia. Isto apesar de Godinho Granada, nos seus estudos, referir que o mesmo foi casado uma tal de D. Flávia Feliciana de Lafeta e Sousa.Disso, demos nota num artigo datado de 5 de Fevereiro de 2018. Portanto, apenas podemos conjecturar que Dona Maria Candida de Lafeta e Sousa deverá ser filha de um outro casamento do Governador do Forte de São Miguel.Seja como for, Dona Maria Candida de Lafeta e Sousa morreu no dia 16 de Janeiro de 1810, tendo sido sepultada na Igreja Matriz na Pederneira, não se referindo no registo de óbito em causa, a naturalidade ou a idade da falecida.[1]

*

Quanto ao apelido Lafetá, a Pedatura Lusitana remete para um tal de João Francisco de Lafetâ, italiano, natural de Cremona, pessoa rica, que terá vivido em Lisboa no tempo de D. João III.[2]Segundo o Dr. Godinho Granada, baseado em fontes anteriores, o apelido "Lafetat” tem origem italiana, usado por uma família da cidade de Cremona, Ducado de Milão, da qual um membro veio para Portugal no século XVI. O apelido, na forma original, era ALFAITATTI. Por corruptela deu Lafetat e aqui, Lafeta. Francisco de Alfaitatti, filho de Agostinho de Alfaitatti, atraído pelas oportunidades de negócios que, para negociantes e aventureiros, constituía o Portugal de Dom Manuel I, aqui se radicou e constituiu família.Um ramo da família fixou-se no Carvalhal de Óbidos, hoje concelho do Bombarral, onde construiu casa senhorial e adquiriu largo latifúndio onde trabalhavam numerosos escravos.Outro ramo fixou-se na Nazareth na pessoa do Governador do Forte, Jose Caetano de Lafeta e Sousa em meados do século XVIII.[3]Mais dados irão, com toda a certeza, aparecer sobre a presença desta família na vila da Pederneira, não deixando de os partilhar neste espaço, sempre que se justifique. [1] ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de Óbitos, 1806, f.23.[2] MORAIS, Cristovão Alão de. Pedatura Lusitana (Nobiliário das Famílias de Portugal), Tomo II, Vol. I, 1699, p. 158 a 160. Mais se refere sobre esta família em Portugal, mas que não cabe no âmbito deste breve artigo. Não deixa, no entanto, de ser importante o seu estudo, na relação com o Governador do Forte, João Caetano de Lafetá e Sousa.[3] Sobre tudo isto, confira-se GRANADA (1996:132-133 e 416). Confira-se, também, sobre o Governador, a obra de Pedro Penteado, Peregrinos da Memória, C. E. H. R., Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 1998, pp. 259, 262, 281 e 282.

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