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Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

"Do Subêrco: Crónica da Nazaré"

Carlos Fidalgo, 28.10.19

«Aparece hoje «O Alcoa» pequeno no formato, mas grande em desejos de bem fazer. E creio que muito bem irá fazer nos concelhos cujos interesse se propõe defender: Alcobaça e Nazaré. Ponto é que tôdas as freguesias o recebam bem. E devem recebê-lo.Todos temos o direito, e a curiosidade, de sermos informados do que se passa na Comarca.

«O Alcoa» propôe-se, dizem-me, fazê-lo tôdas as semanas, com verdade e em cada freguesia. A Nazaré não deixará também de dizer alguma coisa, para que ninguém esqueça que ela existe e é uma das mais lindas terras.

O seu nome, só por si, lembra o aparecimento e a tradicional devoção de todo Portugal à Veneranda Imagem de Nossa Senhora, a qual, depois de mais de 400 anos oculta, ali na rocha e local onde assenta a Capela da Memória, foi encontrada e tem sido venerada até ao presente.

Já lá vão 8 séculos...Quando D. Fuas Roupinho lhe mandou edificar a primeira Ermida de pedra solta. Hoje presta-se-lhe culto no nosso belo templo artístico e rico com o seu escadório típico que todos conhecemos.

Mas não era êste o assunto ou o fim que propuseram. Pediram-me noticias da terra. E sendo esta uma terra de pescadores lembro-me de começar pela pesca que foi abundante na primeira metade dêste mês. Em seguida apareceu a tempestade que tem feito inúmeros e importantes prejuizos.

Por cá houve de tudo um pouco: telhados pelos ares, paredes derruídas e o mar, com uma arrogância tal, que não esteve com meias medidas - saltou o cais, passeou tôda a avenida marginal, entrou pelas ruas acima, fez da praça um lago, e areou a praça, ruas e casas. Em partes batia nas paredes das casas e saltava para os telhados.

Dizem pessoas antigas que nunca o viram assim, tão bravo. As ondas apresentavam, a cada passo, aspectos surpreendentes, lindíssimos e lá ao longe, em frente do Forte, era vê-las abraçarem-se, continuamente, e produzirem os mais variados efeitos, vindo quebrar-se contra o forte e o penedo do Guilhim.» "C"

**O Alcoa, Nº1, Ano 1, 27 de Dezembro de 1945.

"C" - É desta forma que o enigmático, mas informado, autor assina os seus artigos.

António José Baptista de Leão - Reitor da Igreja de Nossa Senhora de Nazareth

Carlos Fidalgo, 23.10.19

Já vai longe o ano de 1807 mas, na nossa opinião, será sempre importante contribuir para a "colocação" de mais uma peça no puzzle da história da Nazaré, neste caso para a história eclesiástica.

Nesse sentido, dada a importância do Culto a Nossa Senhora da Nazaré, não será demais contribuir com alguma informação, nem que seja no âmbito de uma cronologia de algumas pessoas que àquele Santuário estiveram ligadas, como é o caso do Reverendo e, posteriormente, Reitor, António José Baptista de Leão.

Aos trinta dias do mês de Março de mil oito centos e sete anos em esta Igreja Parochial e Collegiada de Nossa Senhora das Areias da Villa da Pederneira Baptizei Solenemente o Reverendo Manuel Jeronimo Pereira meu Coadjutor a Antonio, que nasceu aos vinte dias do sobre dito mes, e anno filho legitimo de Victorino Jose da Rosa e de d' Maria de Jesus baptizados, recebidos n'esta freguesia, neto pela parte paterna de Henrique Antunes da Rosa, e Thereza de Jesus desta freguesia, e pela Materna de Antonio d'Azevedo Lancha e d'Josefa do Sacramento aquele da freguesia de Santo André da villa da cella, e esta desta freguesia, foi Padrinho o Reverendo Antonio Jose Baptista de Leão Reitor da Igreja de Nossa Senhora da Nazareth desta freguesia tocou por elle e com Procuração, Manuel Lopes seu irmão, Madrinha Claudina Maria de Jesus tocou com Procuração sua carlos do Coração de Maria irmão da dita de que fiz este acento que assignei. Declaro que não recebeu os Santos OleosO vigário António José Ferreira

**ADLRA – Paróquia de Nossa Senhora das Areias, Pederneira, Livro de Batismos, Ano de 1807, f. 182v. 

Nota: António José Baptista de Leão terá sido nomeado Reitor «em 19 de Setembro deste ano [1797], por impossibilidade de servir o actual reitor, Pe. Bento Marques Pereira» in A.A.V.V. Santuário da Senhora da Nazaré, Apontamentos para uma cronologia (de 1750 aos nossos dias), Coordenação, Pedro Penteado, Editores: Edições Colibri/Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, Outubro, 2002, p. 85. Ainda sobre o mesmo António José Baptista de Leão, confira-se a obra acima, pp. 84 e 93. 

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