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Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

Pedra do Porto

História e Património do Concelho da Nazaré

Frei Manoel de Figueiredo num registo de batismo em 1776.

Carlos Fidalgo, 22.09.18

Aos seis dias do mês de Outubro de mil sete centos e setenta e seis anos, nesta Paroquial Igreja e Colegiada de Nossa Senhora das Areias da vila da Pederneira, Comarca de Alcobaça, Patriarcado de Lisboa: batizei sol solenemente, e pus os Santos óleos Sub conditione por me constar tinha batizada em casa, digo tinha sido batizada em casa a uma menina por nome Francisca, filha legítima de Joaquim Ribeiro e de Vicência de São José da Rocha. Neta pela parte paterna de José Luís Ribeiro e de Arcangela Maria, e via materna de José Antunes de Miranda e de Olímpia de São José da Rocha. Nasceu a dita Francisca aos vinte de Setembro de da dita Era acima, e foram padrinhos o Reverendo Prior e beneficiado Miguel José Monteiro Lemos, que tocou com procuração sua ao muito Reverendo Padre frei António de Quadros, monge de São Bernardo, e Dona Francisca de Quadros que tocou com procuração sua o Reverendo padre frei Manoel de Figueiredo, Monje de São Bernardo. E para que conste fiz este assento que assinei no mesmo dia, mês, era, ut supra.O Coadjutor Marcos António de Oliveira * 

* ADLRA - Paróquia da Pederneira, Livro de batismos, 1766, f. 85.
Optou-se por actualizar a grafia.

Adenda à Memória Paroquial da Pederneira

Carlos Fidalgo, 01.09.18

Em Setembro do ano passado (2017) publicámos aqui as Memórias Paroquiais da Pederneira, datadas de 1 de Julho de 1759, assinadas pelo vigário Ignácio Barboza de Sá.

Esse documento (as perguntas e as obrigatórias respostas) denota um claro, e inequívoco, propósito, o conhecimento/descrição do território, o número de habitantes que por ali viviam/habitavam, trabalhavam, entre outros assuntos, como o número e as condições de conservação dos espaços eclesiásticos e por aí adiante.

Na resposta Nº 20, para o caso da Pederneira, o vigário responde que “não houve ruína alguma e que só foi aterra a torre do relógio do Paço do Concelho". Isto como consequência do terramoto de 1755. Nada referindo sobre o eventual falecimento de alguma pessoa, nem a ruína de alguma outra casa, sem ser as de tipologia eclesiástica ou administrativa, conforme se infere na resposta ao quesito.

É, também, certo que as respostas foram dadas, para o caso da Pederneira, quase quatro anos após o acontecimento e que nesse intervalo de tempo a memória poderá ter "falhado" no relato das consequências de tão brutal tragédia. Parece que foi isto que aconteceu na Pederneira, não ficando registado nas Memórias Paroquiais, para memória futura, qualquer outro acontecimento.

No entanto, em Novembro de 1755 o padre da Pederneira, António de Abreu Vicente Coutinho, na sua função de registar os que faleciam, assim como os que eram baptizados ou casavam, não deixa de mencionar a causa da morte de duas irmãs, uma maior de idade e outra menor.

Refere o registo:

«Em o primeiro de Novembro de mil sette centos e sincoenta e sinco se enterrou na Igreja Eugénia da Trindade filha mayor, e Anna menor ambas filhas de Jose Nunes de Sam Pedro e de Thomazia de Sam Jose desta villa; e morrerão de repente nas ruinas de huma caza que cahio por causa do Terremotto [assinatura do padre]»

Quatro anos após o acontecimento o vigário da Pederneira nada relatou sobre estas duas mortes, não se esquecendo de mencionar a queda da Torre do Relógio.

Se assim parece, poderemos levantar algumas questões legítimas;

Terá a torre do relógio permanecido em ruína alguns anos, pelo menos até ao tempo em que o vigário escreve a resposta aos quesitos?

Não deveria o padre verificar nos registos de óbito se tinha acontecido alguma morte directamente relacionada com o terramoto?

Em quatro anos esquecem-se muitas coisas, nem se obriga o vigário a saber o que no passado aconteceu mas, para que conste, na Pederneira, e em consequência do terramoto de 1 de Novembro de 1755, nesse mesmo dia faleceram duas pessoas daquela localidade. 

Não fosse, portanto, o registo paroquial e ficaríamos para todo o sempre com a ideia que nada aconteceu, além do descrito na resposta do vigário Ignácio Barboza.*

*ADLRA - Livro de óbitos da freguesia da Pederneira, 1755, f. 138v.